Na Bossa com Marco Mazzola

28 out Entrevistas

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Quantas músicas marcaram a sua vida, embalaram a sua trajetória e fazem parte da sua história? Quando ouvimos uma música, nem sempre imaginamos o que está por trás da criação, em quanto tempo ela foi desenvolvida, como foram as inspirações de letra, arranjo, produção. É nesse momento que entra o toque fundamental do produtor, que pode transformar uma simples melodia em uma canção imortalizada pelo seu sucesso.

‘Aquarela’, ‘Realce’, ‘Gita’, ‘Totalmente Demais’, ‘Taj Mahal’, ‘Papel Machê’ são apenas alguns bons exemplos de canções que foram eternizadas pelo toque precioso do grande “farejador de sucessos” Marco Mazzola. Quem não trabalha nesse meio, ou não é apaixonada inveterada por música e aprendiz de cantora como eu, dificilmente sabe o que está por trás, a poção mágica dos bastidores. Totalmente aceitável. Mas, agora, vocês também terão a oportunidade de conhecer um pouco melhor a história desse Marco, literalmente, na Música Popular Brasileira.

Marco Mazzola

Além de caçar talentos, Mazzola vem deixando sua valiosa contribuição para o cenário mundial fonográfico, ao longo de mais de 30 anos de carreira. Criador da ‘Noite Brasileira’ no conceituado ‘Montreux Jazz Festival’ – na Suíça, participação ativa nos 30 anos de Rock In Rio, Jornada Mundial da Juventude e em eventos que trazem à tona o presente e revelam como promete ser o futuro desse mercado, que está sempre em constante ebulição. O ‘DMX – Digital Music Experience’ é a sua mais nova realização. Além de desvendar e apresentar novos talentos, o evento promete discussões calorosas sobre os novos cenários da indústria.

Admiro muito e acompanho de perto o trabalho de excelência do “midas da MPB” desde que conheci sua filha Daniela Mazzola há uns 15 anos, hoje minha querida amiga. Como Diretora, facilita meu acesso sempre que preciso mergulhar no universo da produtora dele, a MZA Music, como foi no caso da minha tese final no curso de MBA.

Enfim, o que mais dizer sobre quem descobriu e desenvolveu o talento de Raul Seixas, produziu ‘Dancing’ Days’, ‘Como Nossos Pais’ e os áureos tempos do RPM? Sou fã mesmo! E com muito orgulho e satisfação trago Marco Mazzola pro ‘Na Bossa’ dessa semana.

Milton Nascimento, Paulo Ricardo e Marco Mazzola

Já são quase 40 anos de trajetória na indústria fonográfica. Como tudo começou? O que o levou a trabalhar com música?

R: Desde criança tinha um sonho de poder um dia trabalhar com música. Eu estudava no Colégio Salesianos e era solista de um grupo de vocal com mais de 38 vozes “Os Pequenos Cantores da Guanabara”. Isso me fascinava.

 Quantos artistas você já produziu? Cita pra gente alguns nomes?

R: Muitos….rs. Ivete Sangalo, Zeca Baleiro, Rita Lee, Adriana Calcanhotto, Ana Carolina, Martinho da Vila, Gal Costa, RPM, João Bosco, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Djavan, Gilberto Gil, Chico Buarque, Simone, Elis Regina, Caetano Veloso, Banda Eva, entre outros grandes nomes da música brasileira. No mercado internacional, produzi Paul Simon com o Olodum no disco “Rythm of the Saints“ e Frank Sinatra, em duo com Lisa Minelli, o primeiro dueto via fibra ótica no mundo.

Ivete Sangalo e Marco Mazzola

A cada edição do Rock in Rio você vem dando sua preciosa contribuição, produzindo DVD’s ao Vivo, etc. Agora, a mais recente foi ainda mais marcante. Conta um pouco sobre essa parceria ao longo dos anos. Como foi produzir a abertura do evento que marcou os 30 anos do Festival?

R: Foi um reconhecimento ao profissional e uma felicidade enorme de poder trabalhar com diversas gerações de artistas brasileiros no mesmo palco. Ainda mais, com um tom desafiador de fazer toda a produção em apenas 1 hora e 10 minutos de música.

Nesses anos todos dando o seu toque especial em cada música, existe uma predileta?

R: Costumo dizer que cada produção tem a sua história e, no meu caso, tento fazer com que cada uma delas seja a mais especial de todas, naquele momento. Mas claro que eu tenho algumas que me marcaram demais como ‘Dancin’ Days’ (Frenéticas), ‘Caçador de Mim’ (Milton Nascimento) e ‘Como Nossos Pais’ (Elis Regina).

Marco Mazzola com Gal Costa, João Bosco e Liza Minnelli

 Qual música fez mais sucesso?

R: Acredito que algumas das mais vendidas foram: ‘The Rythm of the Saints’ (Paul Simon), ‘Rádio Pirata ao Vivo’ (RPM) e o infantil Arca de Noé I e II, todas com mais de 1,5 milhão de cópias vendidas.


 Durante mais de 30 anos no show business certamente você tem várias histórias pra contar. Conta pra gente algo que realmente tenha marcado a sua trajetória.

R: A gravação de ‘Dancin’ Days’. Foram menos de 15 dias para a produção da música, entre gravação, viagem para Los Angeles (onde foi gravada) e toda finalização do disco. Após eu receber o convite para a produção, em menos de 15 dias a música era um escândalo no Brasil.

Algum fato inusitado, dos bastidores?

R: Estava produzindo um disco da Marina Lima e ao mesmo tempo produzindo o disco da Elis. Estava muito empolgado com a produção do disco da Marina, que era uma artista nova de muito talento. Uma vez, indo com a Elis pro estúdio gravar “Bolero de Satã” – com Cauby Peixoto – , toquei no rádio do meu carro pra Elis escutar uma gravação da Marina. E ela me fez a seguinte pergunta: “Mazzola, você tá comendo?”.


Você escreveu o livro ‘Ouvindo Estrelas’. Como é trabalhar com todas essas estrelas?

R: Bastante gratificante, mas ao mesmo tempo um pouco neurótico uma vez que é preciso trabalhar com sensibilidade à flor da pele para poder captar e oferecer um trabalho digno destes artistas.

Time musical

Há 32 anos você é o responsável pelas noites brasileiras no ‘Montreux Jazz Festival’, principal evento musical que ocorre anualmente desde 1967 na Suíça. Como tudo começou? O que significa esse festival para a música e artistas brasileiros?

R: Em 1975, o André Midani me convidou para assistir ao Festival de Montreux, na Suíça. Fiquei fascinado e senti que poderíamos realizar uma noite brasileira neste evento, apesar de ser um Festival de Jazz. Levamos Elis Regina e Hermeto Pascoal para inaugurar este projeto e foi um verdadeiro sucesso. Dali pra frente, a maioria dos artistas brasileiros pisaram naquele palco, fazendo com que a música brasileira pudesse de uma vez por todas penetrar na Europa.

 O ‘MPBZ’, CD que marcou seus 30 anos de carreira, reuniu 30 produções suas de sucesso. ‘Yolanda’, ‘London London’, ‘Totalmente Demais’, ‘Lanterna dos Afogados’, ‘Como Nossos Pais’ e ‘Realce’ são alguns registros. De lá pra cá, o que mudou na música popular brasileira? 

R: Não daria para explicar em poucas palavras. Antigamente a música era criada com muita criatividade e com histórias emocionantes. Hoje em dia, a sensação é de que as músicas são descartáveis, sem qualidade artística.

Paralamas do Sucesso e Marco Mazzola

 Você é o idealizador e o responsável pelo ‘DMX – Digital Music Experience’. Qual foi o seu objetivo ao criar esse evento e qual é a importância dele para a sociedade atual no contexto da indústria fonográfica em que vivemos?

R: O ‘DMX – Digital Music Experience’ é o maior encontro de música digital e tecnologia do país. Acontecerá nos dias 10 e 11 de Novembro, no Teatro Bradesco, no Shopping Village Mall – RJ. O evento contará com painéis de debates, um festival de Novos talentos na WEB  e uma premiação com os melhores da música digital ( é a 1ª premiação na história que reconhece artista/música baseado em vendas oficiais). O objetivo do ‘DMX’ é estimular, valorizar, reconhecer e discutir junto com o mercado e público as novas possibilidades e os novos cenários desse segmento que não para de crescer e já é a realidade da música.  O programa completo, inclusive com todos os painéis de debates do evento pode ser acessado através do link: www.dmx.art.br. A entrada para todas as conferências é GRATUITA.

 Você é conhecido como o “Midas da MPB” e grande visionário por ter dado seu toque precioso em produções memoráveis como ‘Dancin’ Days’, ‘Aquarela’, ‘De volta Pro Meu Aconchego’, etc, além de ter descoberto e investido em talentos como Raul Seixas e Ney Matogrosso. O ‘DMX’ é a sua nova aposta?

R: Sou um jogador e caçador. Estou sempre com a mente e a visão focada em coisas novas e contemporâneas.

Como funcionará o festival de NOVOS TALENTOS?

R: O DMX New Talent está na fase de votação dos 10 finalistas. No www.dmx.art.br o público consegue ver todos os vídeos e votar. Tivemos mais de 900 bandas e artistas inscritos em apenas 15 dias. Nosso Conselho passou por uma pré-seleção dura. É muita coisa boa! A votação será encerrada no dia 2 de Novembro, onde sairão os 3 finalistas. O vencedor será divulgado e se apresentará no DMX Awards, no dia 11 de Novembro, que será transmitido via WEB para o mundo todo.

Quais serão os temas dos painéis de debate no DMX?

R: Serão ao todo 8 debates sobre: razões para investir em música; novas formas de divulgação; como funciona a monetização no streaming; leis de incentivo à cultura; novos modelos de arrecadação de direitos autorais; crowdfunding – música pela economia colaborativa e novos caminhos para a indústria fonográfica. A programação com data e horário pode ser conferida no www.dmx.art.br.

Convido a todos que gostam de música e atuam nesta área. Teremos grandes profissionais e todos os temas serão de total relevância para o atual cenário da música digital que estamos vivendo.

 Desde 2004 você vem prestando serviços de consultoria com análises, sugestões e orientações estratégicas para quem quer realmente seguir o ramo da música. Que recado você deixaria aqui para essas pessoas?

R: “Quando você tem um ideal e luta por ele, você deve ir até o fim e acreditar nele, mesmo que seja muito penoso. O que importa é tornar isso uma realidade”.

Marco Mazzola com Adriana Calcanhoto, Martinho da Vila, Frejat e Maria Rita

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Fotos: Arquivo Pessoal

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