Angelica De La Riva

1 nov Entrevistas

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Filha de mãe brasileira e pai cubano, Angelica De La Riva é soprano internacional e cresceu com a música nas veias, no Rio de Janeiro, e há oito anos vive na cidade de Nova York. Talentosa, inteligente, elegante e divertida, sempre estudou Música, mas também se formou em Teatro, foi atleta, estudou Direito, trabalhou com decoração, fotografia, design de jóias e como modelo, mas a sua paixão sempre foi cantar. Dona de uma voz incrível, já se apresentou como Solista com várias orquestras em todo o mundo, incluindo a St. Luke’s Orchestra, no Avery Fisher Hall, fazendo a sua estreia no Lincoln Center, em 2007, como a primeira soprano brasileira a cantar lá. No momento, está focada na próxima apresentação, a Amazon, que vai acontecer na sexta-feira da semana que vem, 11/11/2011, no Carnegie Hall, em Nova York, uma noite de música, que tem como tema o poder ancestral da Floresta Amazônica. Quem estiver pela cidade, vale a pena ir conferir o seu talento de perto!

 

Angelica se apresentando no Carnegie Hall, em Nova York

Quando começou a vontade de cantar e o início profissional na música? Música sempre fez parte da minha vida e acredito que tudo aconteceu naturalmente, principalmente pelo ambiente cultural e musical onde fui criada e pela influência dos meus pais. Eu sempre soube que tinha uma voz privilegiada, porque podia imitar com facilidade os cantores das Óperas que meu pai escutava, tanto em casa quanto no carro, todos os dias. Comecei a estudar música cedo e sempre fiz aulas de canto, mas eu não tinha a menor ideia de que seria uma Musicista Profissional, nem mesmo sabia que queria ser uma Cantora de Ópera. Assim que me formei em Atuação, já tinha audicionado para o espetáculo “A Bela e a Fera”, da Disney, e me mudei para São Paulo, onde vivi por 2 anos.

Se não fosse cantora, escolheria que profissão? Certamente, seria alguma coisa que me permitisse a expressão através da arte. Antes de ingressar no Conservatório de Música, fiz Direito na PUC-Rio. Assim que comecei a trabalhar com Direito, me dei conta de que aquela não era a minha missão e que se eu quisesse “mudar o mundo”, não seria por aquele caminho, então transferi para Atuação e me formei em Teatro. Além disso, enquanto estava estudando, trabalhei com muitas coisas diferentes, como fotógrafa, modelo, designer de jóias, administracão e decoração. Todas essas experiências são parte de quem eu sou hoje e agregam muito, tanto no palco quanto fora dele.

Como foi a influência da família na sua vida e a ligação com Cuba? Venho de uma família musical. Minha mãe é mineira e teve piano como formação e sempre nos incentivou a tocar instrumentos. Meu pai é cubano, sempre cantando árias de óperas e canções tradicionais cubanas. Em casa sempre ouvíamos Villa-Lobos, Wagner, Bellini e Verdi, e também muita música cubana, tanto clássica – Lecuona, Gonzalo Roig – quanto tradicional – Bola de Nieve, Olga Guilot, etc. Como toda família cubana, se transpira Cuba em casa. Cuba para mim é um pedacinho que carrego comigo, sem nunca ter estado lá. Todas as histórias que meu avô e meu pai contavam depois do jantar, uma nostalgia havanera que ia e vinha como uma canção, um conto, um “platano frito”, “casi igual al de Cuba” (o que meu pai sempre repete quando algo é muito bom). Vivíamos em um ‘pedacinho de La Havana’ no meio do estado do Rio de Janeiro, com direito a cheirinho de açúcar quentinho. Nosso avô, mesmo depois de 35 anos fora de Cuba, falava com todos em espanhol. Além disso, a culinária cubana e brasileira são muito similares.

 

Angelica com seus pais no Municipal, no Rio e em Nova York, no Soneto de Amor y Muerte

E o que te levou a se mudar do Brasil para os Estados Unidos? Em 2002, o diretor associado do Lincoln Center, Jack Kirman, me ouviu cantar no Rio de Janeiro, e imediatamente me aconselhou a ir estudar em Nova York. Em 2003, recebi uma bolsa para estudar na Mannes College of Music, e me mudei para a cidade, onde estou até hoje.

O que você mais sente falta no Rio de Janeiro e o que mais gosta em Nova York? No Rio, sinto falta da minha família e da praia. Em Nova York, o que mais gosto é a intensidade de tudo, um lugar onde tudo pode acontecer. Adoro a diversidade cultural e como de um bairro para o outro, parece que mudei de país. Me encanta o fato de estar em uma roda social, numa festa e ser uma mini “United Nations“.

Já morou em outras cidades, quais as do coração? E o que mais te encanta em cada lugar? Do coração são Rio de Janeiro e Nova York. Morei por curtos períodos em Paris, Milão e Granada. Em Paris, me encanta a história que cada parede transpira, as pequenas ruas que te transportam… pensar na intensidade intelectual e cultural de Paris nos anos 20, quando por ali passaram Picasso, Buñuel, Dali, Villa Lobos, e claro, a capacidade que os parisianos tem de estabelecer prioridades, às 5 da tarde estão todos fora do trabalho, a caminho de um piquenique, ou sentados em um café para simplesmente curtir. Granada, na Espanha, é mágica, a Alhambra, as Covas de Flamenco, o entardecer no jardim Generalife.

E como você analisa o acesso à música clássica no Brasil? Acredito, que finalmente, estamos progredindo nesta direção devido a várias iniciativas, uma delas é que a música voltou a ser obrigatória no ensino público brasileiro. Uma ideia proposta por Villa Lobos a Getúlio Vargas, e que voltou a ser colocada em prática há dois anos. Estive no Brasil em julho, por dois meses, e entre outras coisas, visitando o projeto Orquestrando a Vida, de reintegracão social através da música, tive muitas esperanças. Depois de alguns concertos juntos, como este (veja aqui), no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, eu e meu partner, o violonista Nilko Andreas, tivemos a ideia de trazê-los através da companhia de produção com a qual trabalho, a AZLO Music Productions, para uma tournée em Nova York. E depois de um árduo trabalho de equipe, conseguimos! Eles chegam dia 18 de Novembro para uma série de concertos que culminam com um gala no Carnegie Hall, no dia 23 de novembro. Veja as informações (aqui).

A soprano Angelica de la Riva e a Orquestra Sinfônica Mariuccia Iacovino

Qual foi a apresentação inesquecível da sua vida? A primeira vez que cantei no Lincoln Center, no Avery Fisher Hall com a St. Luke’s Orchestra. E também um concerto para o qual estou bastante apreensiva, no bom sentido, o AMAZON 11.11.11 onde sera meu début com orquestra no Carnegie Hall. Eu vou interpretar compositores clássicos brasileiros, mexicanos e o violonista colombiano Nilko Andreas fará a premier de “TUKANOS”, de Alba Potes. Veja as informações (aqui).

Quem são suas influências musicais? Tantas! Meu pai, Mahler, Beethoven, Villa Lobos

Um cantor e uma cantora brasileira - Chico Buarque e Bidu Sayao.

Um cantor e uma cantora internacional - Rene Pape e Joan Sutherland.

Uma aposta atual na música? Orquestra Sinfônica Mariuccia Iacovino.

Como você escolhe o seu figurino para os shows? Depende de cada concerto. Normalmente, para as óperas, cada produção tem um figurino. Estou muito feliz com uma nova parceria para os meus próximos concertos: ADAM, by Adam Lippes, vai me vestir. Ele é incrível!

 

Você se maquia muitas vezes sozinha e com pressa antes de se apresentar, alguma dica legal para esse ritual e que produtos não podem faltar na sua nécessaire? Para mim, o mais importante é que a pele esteja bem hidratada antes de começar a maquiagem. Uso uma base hidratante da Shiseido, com SPF, rímel e deliniador Maybelline e sombras Chanel, em tons de marrom.

Prova de roupa no atelier de Adam Lippes e a rotina de se maquiar antes das apresentações

E como é a sua relação com o esporte? Esporte sempre fez parte da minha vida. Desde pequena, gostei de competir. Natação, track & field, corrida, pólo, basquete, e mais tarde o remo, onde ganhei alguns campeonatos estaduais e um brasileiro. Com o remo, aprendi muito sobre disciplina e persistência e, com certeza devo a esse esporte, a minha capacidade respiratória para cantar.

 

Matéria no Jornal do Brasil em 1997

Alguma dica de alimentação para quem pratica esportes? Aprendi muito de nutrição quando remava. Alimentação é  parte essencial do treinamento. Hoje, tenho uma alimentação super restrita, porque descobri o que melhora e o que diminui o meu sistema imunológico. Não como glúten, laticínios e evito açúcar, principalmente antes de cantar.

Qual a sua dica de beleza: Limpar bem e hidratar a pele, principalmente no inverno de Nova York. E tomar sempre água quente com algumas gotas de limão siciliano, que equilibra o PH do organismo e é um bactericida natural. Isso me ajuda muito a evitar a retenção de líquidos.

O que não sai do seu playlist? Mahler, Silvio Rodriguez, Chico Buarque, Edith Piaf, Verdi, Belinni, Villa-Lobos e U2.

Bossa para você: Pessoas capazes de estabelecer prioridades.

Um sonho: Que o ensino de música seja uma realidade em todas as escolas públicas do Brasil.

Uma inspiração: Maria Callas.

Uma frase: Todo artista tem uma grande responsabilidade social.

O conselho mais sábio que já recebeu na vida: Fale menos e ouça mais.

 

Las Horas Vacias. Cartaz de divulgação e a interpretação no palco

Para conhecer mais sobre Angelica De La Riva: http://www.angelicadelariva.com

Fotos: Arquivo pessoal / Darryl Nitke / Marcelo Faustini / Richard Bliknoff

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Comentários 4 comentários

  1. Impecável Ana, sua matéria sobre a Angelica! Como tudo que você faz, está “flawless”. Posso até ser suspeita, pq amo as 2 de paixão, mas tenho certeza que todos que tiverem o previlégio de ver a entrevista, vão sair contagiados com essa parceria! E para os mais sortudos em NY – 11 de Novembro is a date!

  2. Ana,
    Como a Liliam, achei a matéria muito boa – excelente, na verdade.
    E que espetáculo é essa moça, não? Absolutamente inspiradora!
    Parabéns a ela pelos vários sucessos e pela “polivalência”. Quantos talentos!
    Fiquei na dúvida se ela é parente da Marina de La Riva, também cantora. Será?
    beijos

  3. Liliam, você é suspeita mesmo, por ser muito minha amiga e da Angelica também! :) Que bom que gostou!!

    Ana Luiza, obrigada. Bom te ver por aqui. Ela é admirável mesmo!
    E sim, é parente, ela é irmã da Marina.

    Beijos

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